Candomblé

O Candomblé e outras religiões afro-brasileiras se desenvolveram em diferentes partes do Brasil, recebendo nomes variados de acordo com a região: Candomblé na Bahia, Xangô em Pernambuco e Alagoas, Tambor de Mina no Maranhão e Pará, Batuque no Rio Grande do Sul e Macumba no Rio de Janeiro (Munanga; Gomes, 2006).

O Pai Rodney destaca que o Candomblé se estabeleceu oficialmente na Bahia nas primeiras décadas do século XIX, com a chegada dos africanos de origem nagô. Já no século XX, entre as décadas de 1960 e 1970, a religião se expandiu para o Rio de Janeiro, São Paulo e outros estados do Sudeste e do Sul do país (Carta Capital, 2017). No Rio de Janeiro, o contato entre o Candomblé e o espiritismo kardecista deu origem à Umbanda, uma religião brasileira que nasceu da mistura de tradições africanas, espíritas e católicas (Munanga; Gomes, 2006).

O Candomblé teve um papel fundamental no resgate da noção de família para o povo negro, recriando nos terreiros um espaço de pertencimento e união, onde mães e pais de santo se tornaram pilares fundamentais desse laço comunitário. Porém, o Candomblé não é uma religião única e igual em todos os lugares. Suas práticas e o culto às divindades (orixás, voduns e inquices), incluindo nomes, cores, preferências alimentares, louvações, cantos, danças e músicas, apresentam variações que refletem a diversidade dos territórios e etnias africanas dos povos que chegaram ao Brasil. Essas diferenças deram origem a diversos templos e vertentes, conhecidos como “nações”, como as nações Jeje, Angola, Ketu, Ijexá, Efã, Nagô e Mina-Nagô (Munanga, Gomes, 2006; Museu Afro Brasil).

A perseguição ao Candomblé e às demais religiões afro-brasileiras começou ainda no período colonial, com a repressão da Igreja Católica e do Estado, e continuou mesmo após o fim da escravidão. Apesar de um maior reconhecimento dessas religiões nas décadas de 1960 e 1970, foi também nesse período que as igrejas evangélicas neopentecostais passaram a intensificar a demonização dos orixás e das entidades da Umbanda. Em 1988, a Constituição Brasileira garantiu o direito à liberdade religiosa, mas a intolerância continua presente até hoje, com ataques frequentes e graves a terreiros e aos seus praticantes (Carta Capital, 2017).

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