Funk

No Brasil, o funk, assim como o hip-hop, começou a se popularizar nos anos 1970 por meio dos chamados "bailes black", realizados principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo. Esses eventos funcionavam como espaços de lazer para a juventude negra, pobre e periférica, e eram fortemente marcados pela influência da "soul music" afro-americana, que impactava tanto a criação quanto a produção musical. No entanto, esses bailes eram frequentemente perseguidos e reprimidos pela polícia (Maré de Notícias Online, 2023; Munanga; Gomes, 2006; Geledés, 2022).

No final dos anos 1980, o DJ Malboro, do Rio de Janeiro, introduziu a bateria eletrônica ao funk, o que ajudou a espalhar o ritmo pelas favelas por meio dos bailes. O funk carioca incorpora diversas influências, das percussões afro-brasileiras à música clássica. Nos anos 2000, o tamborzão com sua batida acelerada com som de tambores, deu origem ao passinho, uma expressão corporal do funk que combina movimentos do break, samba, frevo, kuduro, step e outros estilos (Educação e Território, 2018). Em 2024, o passinho foi reconhecido como patrimônio cultural imaterial do Rio de Janeiro (Agência Brasil, 2024). Considerado um fenômeno afro-diaspórico, o “Funk” engloba não apenas música, dança e estilo de vestimenta, mas também estética visual, linguagem, poesia e reflexões sobre o movimento, sendo uma expressão cultural que se entrelaça com a vida nas periferias. Nesse contexto, conforme o jornal Maré de Notícias Online (2023), os bailes geram uma economia que contribui para o sustento de centenas de moradores da Maré, ao mesmo tempo em que fortalece a cultura periférica e oferece opções de lazer para a população.

Além do funk carioca, o gênero conta com outras vertentes, como o funk paulista, funk ostentação, funk consciente, funk pop e o funk proibidão (Politize, 2018). Assim como aconteceu com a capoeira e o samba, o funk também sofre tentativas de criminalização por parte do Estado, e os bailes seguem sendo alvo de perseguição policial (Maré de Notícias Online, 2023). Apesar disso, houve conquistas importantes: a Lei Federal nº 14.940/2024 instituiu o Dia Nacional do Funk, comemorado em 12 de julho, e a Lei Estadual nº 10.113/2023 reconheceu os bailes funk como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Rio de Janeiro (Educação e Território, 2018).

Documentário Dance Funk! (Libras)

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